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Etiqueta do Inmetro: como ler o consumo e não cair nas pegadinhas

O que significa cada número da etiqueta de consumo do Inmetro (PBE Veicular): km/l, MJ/km, classes A a E, Selo CONPET e Nota Verde — com exemplos reais da tabela de 2026.

GuiaPor Redação CarversoAtualizado em 27 de set. de 20265 min de leitura
Ilustração editorial: Etiqueta do Inmetro: como ler o consumo e não cair nas pegadinhas
Imagem ilustrativa.

Todo carro novo vendido no Brasil que participa do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBE Veicular), do Inmetro, sai de fábrica com uma etiqueta colada no vidro: a ENCE, Etiqueta Nacional de Conservação de Energia. É a fonte oficial de consumo que o Carverso usa em todas as fichas. A tabela de 2026, atualizada em 14 de agosto, traz 976 modelos e versões de 43 marcas.

O problema é que a etiqueta tem mais informação do que parece, e duas das letras mais chamativas — as classes de A a E — enganam quem não sabe o que elas comparam. Este guia explica cada campo com exemplos reais da tabela.

1. Consumo em km/l: cidade, estrada e combinado

São os números mais conhecidos: quantos quilômetros o carro faz com um litro, na cidade e na estrada. Carros flex têm os dois combustíveis; a tabela do Inmetro traz ainda o combinado, uma média dos dois ciclos. Os valores vêm de ensaios de laboratório padronizados, iguais para todas as marcas — por isso servem para comparar carros entre si. O consumo no seu dia a dia vai variar com trânsito, relevo, carga, pneus e jeito de dirigir.

Um detalhe que a etiqueta revela e pouca gente nota: carros híbridos fazem mais na cidade do que na estrada, o contrário dos carros a combustão. O Corolla Cross XRX Hybrid faz 16,6 km/l na cidade e 14,0 km/l na estrada; o Corolla Cross XRE 2.0, 11,5 e 13,1 km/l. Se você roda mais em rodovia, a vantagem do híbrido encolhe.

2. Consumo energético em MJ/km: a régua que compara tudo

km/l não serve para comparar um carro a etanol com um a gasolina, nem um híbrido com um elétrico — cada litro tem uma quantidade de energia diferente, e elétrico não usa litro. Por isso o Inmetro publica o consumo energético em megajoules por quilômetro (MJ/km): quanto de energia o carro gasta para andar 1 km. Quanto menor, mais eficiente. É com ele que o Inmetro dá as notas de A a E.

Carro (versão)TipoMJ/kmClasse na categoriaClasse geral
BYD Dolphin GSElétrico0,42AA
Honda Civic HybridHíbrido1,21BB
Toyota Corolla Cross XRX HybridHíbrido flex1,36BB
Fiat Mobi Like 1.0Flex1,40EB
Renault Kwid Outsider 1.0Flex1,41AB
VW Polo Highline 1.0 TSIFlex1,57CC
Toyota Corolla Cross XRE 2.0Flex1,78CC
Honda HR-V Touring 1.5 turboFlex1,78DC

Repare no Corolla Cross híbrido: um SUV de 1.440 kg gasta praticamente a mesma energia por quilômetro que um Fiat Mobi (1,36 contra 1,40 MJ/km). E o elétrico gasta menos de um terço da energia de qualquer carro a combustão da lista.

3. A pegadinha das classes: categoria × geral

A etiqueta traz duas notas de A a E. A classificação na categoria compara o carro só com os da mesma categoria do Inmetro (subcompacto, compacto, médio, utilitário esportivo, picape etc.). A classificação geral compara com todos os carros da tabela. É aqui que muita gente se engana.

O melhor exemplo está na tabela de 2026: Fiat Mobi Like e Renault Kwid Outsider têm o mesmo motor 1.0 de três cilindros e gastam quase exatamente a mesma energia — 1,40 e 1,41 MJ/km, com consumo combinado de 15,0 e 14,9 km/l na gasolina. Mas o Mobi leva E na categoria e o Kwid leva A, com Selo CONPET. Por quê? O Mobi está na categoria Subcompacto, entre carros muito econômicos, e fica no fim da fila; o Kwid Outsider está em Utilitário Esportivo Compacto, entre SUVs, e é o mais eficiente deles. Na classificação geral, que compara todo mundo, os dois empatam em B.

Regra prática: para saber se um carro é econômico em termos absolutos, olhe a classe geral ou o MJ/km. A classe na categoria só diz como ele se sai entre os concorrentes diretos — útil, mas depende de em qual categoria o Inmetro colocou o modelo.

4. Selo CONPET

O Selo CONPET de Eficiência Energética vai para os modelos mais eficientes de cada categoria. Em 2026, 121 dos 976 modelos e versões (12,4%) receberam o selo. Pela lógica acima, ele também é relativo à categoria: um SUV pode ter o selo gastando mais energia que um subcompacto sem selo, como no caso de Kwid e Mobi.

5. Nota Verde: poluentes, não consumo

A Nota Verde mede outra coisa: as emissões de poluentes que afetam a qualidade do ar (hidrocarbonetos, monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio) em relação aos limites da fase L8 do Proconve. Não tem relação direta com consumo. Um exemplo curioso: o Corolla Cross XRE 2.0 tem Nota Verde A, e o XRX Hybrid, que gasta muito menos combustível, tem B.

A tabela também informa o CO₂ de origem fóssil em g/km. Com etanol, esse valor é zero, porque o gás carbônico emitido vem da cana, que o absorveu ao crescer; com gasolina, entra na conta só a parte fóssil (a gasolina vendida no Brasil já tem etanol misturado).

Como usar a etiqueta na hora de comprar

  • Compare km/l dentro do mesmo combustível e no ciclo que mais combina com você: cidade para quem roda no trânsito, estrada para quem pega rodovia.
  • Para comparar tipos diferentes (flex × híbrido × elétrico), use o MJ/km ou a classe geral.
  • Desconfie de uma classe A sozinha: confira em qual categoria o carro foi classificado e qual é a classe geral.
  • Flex: faça a conta do etanol. A relação de consumo etanol/gasolina de cada carro, que sai da própria etiqueta, diz a partir de qual preço o etanol compensa — no Corolla Cross XRE, por exemplo, é 68,7%; no híbrido, 69,9%.
  • Use o número para comparar, não para prever o gasto exato: o consumo real varia com o uso, mas a ordem entre os carros costuma se manter.
Todas as fichas do Carverso trazem o consumo oficial do Inmetro na cidade e na estrada, com etanol e gasolina, e a calculadora de gasto de cada ficha usa esses números. Veja também o guia flex, híbrido, elétrico ou diesel: qual compensa.

Perguntas frequentes

O consumo da etiqueta do Inmetro é real?
É medido em laboratório, com o mesmo procedimento para todas as marcas. Serve para comparar carros entre si; o consumo no dia a dia varia com trânsito, relevo, carga e forma de dirigir.
O que significa classe A na etiqueta do Inmetro?
Que o carro está entre os mais eficientes. Mas há duas classes: a da categoria (compara só com carros da mesma categoria) e a geral (compara com todos). Um carro pode ser A na categoria e B no geral, como o Renault Kwid Outsider em 2026.
O que é MJ/km?
É o consumo energético: quantos megajoules de energia o carro gasta por quilômetro. Permite comparar carros a etanol, gasolina, híbridos e elétricos na mesma régua. Quanto menor, mais eficiente.
O que é o Selo CONPET?
Um selo dado aos modelos mais eficientes de cada categoria no PBE Veicular. Em 2026, 121 dos 976 modelos e versões da tabela receberam o selo.
Nota Verde é a mesma coisa que consumo?
Não. A Nota Verde avalia emissões de poluentes locais (HC, CO e NOx) em relação aos limites do Proconve L8. Um carro pode gastar pouco e ter Nota Verde pior, como o Corolla Cross híbrido (B) em relação ao 2.0 flex (A).

Fontes